Livro recupera a história judicial do atentado contra o Papa João Paulo II
Foi apresentado, no passado dia 1 de julho, em Fátima, o livro “40 anos do processo-crime do atentado de 12 de maio de 1982 contra o Papa João Paulo II”, uma iniciativa promovida pelo Tribunal Judicial da Comarca de Santarém e pelo Município de Ourém.
A obra reúne os contributos das II Jornadas de Direito Criminal da Comarca de Santarém, realizadas em novembro de 2022, e recupera um dos processos mais marcantes da história recente da justiça portuguesa, relativo ao atentado contra o Papa João Paulo II durante a sua visita a Fátima, em maio de 1982.
Na abertura da sessão, a presidente do Tribunal Judicial da Comarca de Santarém, juíza de direito Susana Fontinha, destacou a importância de preservar, estudar e dar a conhecer processos judiciais que, pela sua singularidade, ultrapassam a dimensão estritamente processual e passam a integrar a memória coletiva.
O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, evocou a profunda ligação de João Paulo II a Fátima e a Portugal, sublinhando o significado que este acontecimento continua a assumir para a história do Santuário e para os peregrinos.
Na sua intervenção, o vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura, juiz conselheiro Luís Azevedo Mendes, salientou que a obra constitui simultaneamente memória judicial, memória institucional e memória do próprio país. Defendeu que a justiça se faz todos os dias, mas também se constrói através da preservação da sua história. Recordou ainda que o CSM tem procurado valorizar a memória judiciária através da recuperação da história dos tribunais, da valorização do património judiciário e da promoção de iniciativas que preservam episódios marcantes da história portuguesa.
O presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, sublinhou o valor histórico, jurídico e documental da obra, considerando que a sua publicação representa um compromisso com a preservação da memória coletiva e com a transmissão deste património às gerações futuras.
A apresentação do livro esteve a cargo do antigo juiz presidente do Tribunal Judicial da Comarca de Santarém, juiz desembargador Luís Miguel Caldas, que recordou o percurso que o processo seguiu até esta publicação. A consciência do seu valor histórico levou à sua exposição pública nas Jornadas de 2022 e, mais tarde, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
O juiz conselheiro jubilado Santos Cabral, que integrou o coletivo que julgou o processo, refletiu sobre a obra enquanto autor, mas também como participante direto nos acontecimentos, partilhando memórias do julgamento e da relevância que o processo assumiu para a evolução da justiça portuguesa.
A sessão incluiu ainda a exibição de um vídeo-resumo das II Jornadas de Direito Criminal da Comarca de Santarém e momentos musicais assegurados pelo Conservatório de Música e Artes do Centro.
Lisboa, 03 de julho de 2026


